domingo, 21 de junho de 2009

Eu na Folha 4

Dessa vez meu texto foi publicado na seção do Ombudsman.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/semanadoleitor/sl2106200901.htm

Lembrem-se, é preciso ser usuário UOL ou assinante da Folha para ver o texto.

PS: Sim, também publicaram meu comentário sobre a saída de Muricy no Painel do Leitor.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Unisa Debate Sobre o Fim da Obrigatoriedade do Diploma de Jornalismo



















Unisa Debate Sobre o Fim da Obrigatoriedade do Diploma de Jornalismo
Data: 22/06/2009 (2ª Feira)
Horário: 19h30
Local: Miniauditório do Campus II, Rua Isabel Schmidt, 349, Santo Amaro, São Paulo - SP.

A pré-estreia de Loki


Anos 60, um contrabaixo, uma guitarra e um piano por perto, Arnaldo Baptista estava pronto para colorir o mundo. Mas tudo tem começo, meio e fim. A história de Arnaldo está longe de seu fim. História que virou documentário o qual acompanhei ontem em sua pré-estreia.

Dirigido por Paulo Henrique Fontenelle, o documentário segue a vida perturbada do músico até seu retorno aos palcos com os Mutantes em 2006. As imagens de arquivo nos remetem a uma época rica de criatividade em nossa música.

Os Mutantes conseguiram, num tempo de forte influência estrangeira em nossa música, dar identidade brasileira ao Rock. O documentário nos transporta a essa época através de diversos depoimentos, entre eles do jornalista Nelson Motta, do mutante Sérgio Dias, Liminha e Dinho Leme, Gilberto Gil e Tom Zé. Tudo intercalado a um mosaico, uma pintura que Arnaldo fez relembrando os diversos momentos. Rita Lee não quis dar depoimento. Segundo o diretor, toda vez que a assessoria da cantora era contatada, diziam que Rita não fala dessa época.

Arnaldo é posto com afeição na grande tela. O diretor Paulo Henrique contamina a todos com este sentimento, ao final da sessão, nossa vontade é abraçar o mutante. Como grandes gênios vivos, Arnaldo obteve sua redenção após vertiginosa queda.Vale lembrar que fomos nós que o condenamos à sua pior época. O Brasil é cheio de preconceitos, foi preciso gente de fora dar valor para que reconhecêssemos a importância de Arnaldo para nossa música. Se não fosse Kurt Cobain e Sean Lennon (ou também Mike Patton) citar Arnaldo como principal influência, talvez, este estivesse morto e esquecido feito Simonal.

Após a exibição, houve um debate, uma sabatina com a participação de Arnaldo Baptista, do diretor Paulo Henrique e do gerente de Marketing e Projetos do Canal Brasil, André Saddy. Separei os pontos mais interessantes:

A Idéia do Documentário


Paulo Henrique
– O material seria usado originalmente para um programa no Canal Brasil. Achei que essa história deveria ser contada.

Novo Disco dos Mutantes


Arnaldo Baptista
– Não ligo mais para Mutantes. Não gosto das guitarras do Sérgio, ele usa Amplificadores Digitais, prefiro os valvulados. Eu gosto de guitarras Gibson.

Música Brasileira Contemporânea

AB
- Não ouço nada, só Pato Fu.

Novos Projetos

AB - Fazer um show com uma Gibson, usando amplificadores Valvulados.

Sobre a “Patrulha do Espaço”

AB - Não se encontram ao meu alcance no momento.

Sobre Expor suas obras

AB - Gostaria de encontrar alguém que faça isso acontecer

Mantém contato com algum Tropicalista?

AB - Meu dia-dia não permite. Cada um leva sua vida.

Beatles ou Rolling Stones?

AB
- Beatles abrange folclore. Rolling Stones é música lenha, pesada. Um completa o outro.

Momento mais emocionante do documentário?

AB - Foi quando eles chegaram a minha casa com o gravador e a câmera digitais. Nunca tinha visto. Não conhecia equipamentos assim.

PH – O momento mais emocionante é ver a reação do público agora. Sensação de dever cumprido. O filme não é mais nosso, é do público.

Assalto durante as filmagens em Londres

PH - Filmamos numa região perigosa. Uma gangue tentou roubar nossa câmera, corremos e quando Arnaldo nos viu correr com a gangue nos perseguindo, correu atrás, gritando. Eles dispersaram ao verem Arnaldo correndo atrás. Ele salvou o filme, pois era a única câmera. Ele disse que foi bom, pois pode praticar seu caratê.

Comparação com Syd Barret

AB - Comparação tem um peso mais importante do que consigo imaginar.

Algum momento delicado foi cortado do documentário?

PH – Tivemos carta branca do Arnaldo. Nenhum tipo de censura, quando mostramos o documentário a ele pela primeira vez, ele disse que tínhamos conseguido captar sua alma.

Banda dos sonhos de Arnaldo Baptista

AB – Jimmy Page na guitarra, porque ele usa Gibson. Baixista, escolho Jack Bruce do Cream. Baterista Nigel Olson, que foi baterista do Elton John e o tecladista Tony Kaye do Yes.

Arnaldo Baptista fez um apelo aos presentes que pedissem à gravadora EMI que recolocasse sua obra em catálogo. É bom lembrar que o compositor também tem livros prontos a serem publicados e pinturas prontas a serem expostas. Só falta o patrocínio.

SITE OFICIAL DO CANTOR: http://www.arnaldobaptista.com.br/

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Loki - Documentário sobre Arnaldo Baptista

Ocorreu hoje a pré-estreia do documentário “Loki” no Cine Bombril. Evento promovido pela Folha de São Paulo, integra o projeto Folha Documenta. O documentário conta a história do cantor e compositor Arnaldo Baptista, eterno mutante. Quem assina a direção é Paulo Henrique Fontenelle. O projeto foi tocado pelo Canal Brasil, o gerente de Marketing do canal, André Saddy esteve presente. Ao final da exibição, houve um debate que contou com a presença do próprio Arnaldo.

O documentário conta a história da conturbada vida do cantor através de imagens históricas intercaladas à uma pintura que Arnaldo compõe durante a exibição.

Fotos de Arnaldo ainda criança e imagens de sua primeira banda, O’Seis, ao lado do irmão Sérgio Dias. A separação e o surgimento dos Mutantes. Sua paixão por Rita Lee, seu problema com as drogas, a tentativa de suicídio, sua recuperação e seu retorno. O documentário é primoroso, logo postarei uma resenha detalhada.

Trailer:

Sobre a obrigatoriedade do diploma para jornalistas

O Supremo Tribunal Federal revogou ontem, por 8 votos a 1, a obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercício da profissão.


Sim, eu sou estudante de Jornalismo. Terminei meu primeiro semestre há pouco. Você pensa que irei vender meu peixe, defender com unhas e dentes a obrigatoriedade do diploma, afinal, tenho que justificar os três anos e meio que terei pela frente como estudante, certo? Certo. Mas não irei justificar meus estudos (ou o dinheiro gasto com eles) para confortar minha posição. Irei basear minha defesa do diploma em fatos.


Há alguns meses, passei a carregar um texto em minha bolsa, cujo autor, é jornalista famoso, não formado. Falo de Gabriel Garcia Márquez. O texto, intitulado, “A Melhor Profissão do Mundo”, discute exatamente este ponto; A necessidade de escolas para jornalistas. Para Márquez, a desgraça das faculdades talvez seja ensinar muito de útil para a profissão, mas pouco da profissão propriamente dita.



Outros exemplos (menos sérios que o texto de Gabriel) de um jornalismo sem diploma, são os filmes “A Primeira Página” e “A Montanha dos Sete Abutres”. O primeiro ridiculariza o jornalista formado em faculdade que tenta cobrir a execução de um preso junto a outros velhos lobos de profissão. O segundo também esconde nas entrelinhas a mensagem de que o verdadeiro jornalista é aquele que vai à rua. Botando a figura do recém formado jornalista sempre como aprendiz do veterano interpretado por Kirk Douglas. Não há nada de errado na visão que esses três exemplos nos dão. O problema é que a comunicação contemporânea exige mais zelo.



Não se lê tanto como antes. A idéia de ética dos jovens de hoje é distorcida. Ética jornalística então, nem se fala. Alguns nem politizados são. Outros não querem nem saber de política. Alguns nunca ouviram falar dos preceitos básicos do jornalismo, como aquele de “ouvir os dois lados da história”. Bem, mas acredito que estes não conseguirão emprego, nem no pior jornal da cidade.



Também devemos racionalizar quanto aos órgãos que defendem a não obrigatoriedade do diploma. A Folha de São Paulo, por exemplo, não quer perder Delfim Netto de sua lista de colunistas. Quem melhor que ele falará de nossa economia? Concordo. Por outro lado temos o Sarney enchendo linguiça toda sexta-feira. Dispensável.



Um bom jornalista é composto da sede de Charles Taturn (personagem de Kirk Douglas em “A Montanha”), da ousadia de Walter Burns (personagem de Walter Matthau em “A Primeira Página”) e, equilibrando todo esse ímpeto por notícia, a mentalidade, ética e a escrita de Gabriel Garcia Márquez. Pronto, saiu do forno o jornalista perfeito. Agora, tal jornalista irá se criar sozinho? Nascer pronto? Feito um Pelé ou um Ronaldo? Não. Daí a necessidade de curso Acadêmico para ensino da profissão. Curso este que deve ser reformulado, como o próprio Gabriel Garcia diz. E isso deve ser feito o quanto antes.

LINK PARA O TEXTO DE GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ

terça-feira, 9 de junho de 2009

Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei



O documentário conta a história do cantor Wilson Simonal. Simonal fez muito sucesso no fim da década de 60 até o início dos anos 70. Era conhecido com o rei do suingue, o cantor das multidões. Após acusação de ser informante da ditadura militar, Simonal foi condenado por seus colegas do meio artístico, e pelos meios de comunicação, ao ostracismo.

O filme segue uma cronologia que faz o espectador entrar em conflito consigo mesmo. Vemos que Simonal era um ídolo verdadeiro. Talvez o grande ídolo da época, ao lado de Roberto Carlos. O cantor tinha produtos com seu nome. Apresentava um programa de TV. Simonal era como diz Chico Anysio, o “Rei da Cocada Preta”. Mas quando ele comete o erro de se envolver, mesmo que inconscientemente, com torturadores da ditadura, vê sua queda começar.

Simonal desconfiou que seu contador estivesse roubando o. Mandou seus seguranças lhe darem uma surra. Os seguranças levaram o homem ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e a seus torturadores. Após a surra, o contador, Raphael Viviani acusou Simonal formalmente de sequestro. No dia seguinte, deu se a confusão. Os jornais noticiaram a ligação de Simonal com o órgão militar.
Apesar de ser homem público, o cantor era um ignorante aos assuntos políticos. Não sabia que o peso de se intitular informante da direita, mesmo que em tom sarcástico como foi feito lhe marcaria para o resto da vida e daria fim à sua promissora carreira.

Os jornais da época, numa claríssima falta de respeito aos princípios do jornalismo objetivo e imparcial, noticiavam os boatos sobre o caso. As versões eram transformadas em fatos, principalmente após as brincadeiras de Simonal sobre ser informante da direita. Ele foi acusado pelo Pasquim, de ser dedo duro da ditadura. É interessante vermos que a irresponsabilidade jornalística dos meios da época se contrapõe à imparcialidade do documentário. O diretor Cláudio Manoel se preocupou em ouvir os dois lados, pela primeira vez, o contador de Simonal na época, e coadjuvante do acontecimento que deu início à queda do cantor, é ouvido. Visivelmente abalado ao ter que falar sobre o caso, percebemos que sua vida também fora fortemente afetada pelo episódio. Terminada a sessão, o espectador certamente irá se perguntar se Simonal mereceu ou não seus anos de exclusão. A resposta com certeza será não. Wilson Simonal foi um dos maiores injustiçados da história recente de nosso país.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Exterminador do Futuro - A Salvação


Acabo de chegar do cinema. Fui assistir ao novo “Terminator”: Sou fã da franquia desde seu segundo filme. Lembro-me que era criança, tinha meus oito ou nove anos quando assisti, fiquei impressionado com os efeitos. Por anos foi meu filme predileto. Hoje já não penso assim, mas continuo fã da série. Tanto que fui à primeira sessão, logo pela manhã. Estou desacostumando com os blockbusters, o próprio “Wolverine” eu ainda não vi. Quanto ao Exterminador do Futuro – A Salvação, este merece duas resenhas de minha parte, uma apaixonada e outra crítica. Vamos a elas:

Resenha Apaixonada:


Há meses que acompanho o processo de feitura do T4. Fotos caindo na rede, trailers no Youtube, a digitalização de Arnold Schwarzenegger, Christian Bale como John Connor, tudo isso só me deixou mais ansioso. Eu amo esta série e o quarto filme é primoroso para fãs como eu.

A história se passa em 2018. O dia do julgamento aconteceu. A guerra de humanos versus máquinas continua. Os humanos são cada vez menos e as máquinas dominam o planeta. Diante desse cenário temos Connor tentando interromper um plano de extermínio das máquinas, que inclui seu pai, Kyle Reese. Por outro lado temos um exterminador diferente, Marcus Wright, vivido por Sam Worthington. Um exterminador com mente e coração humano.

O filme faz diversas referências aos outros da série. Há a inserção da famosa frase de Arnold: I’l Be Back. Alusões a cenas clássicas, como em T1 quando o exterminador sobe as escadas para pegar Sarah Connor. John Connor utiliza como isca para capturar um motoexterminador um rádio que toca You Could Be Mine da banda Guns’n Roses, música que fazia parte da trilha do segundo filme. O exterminador pisando na cabeça de um esqueleto humano. E é claro, a maior de todas as homenagens, a digitalização de Arnold Schwarzenegger, para que o ator, agora governador do Estado da Califórnia, fizesse uma pontinha na película. Uma pontinha mesmo, a cena é bem curta.

O mais impressionante são os efeitos especiais. Um orçamento de 200 milhões de dólares não poderia fornecer material ruim. Repare na primeira cena, John Connor entra em um helicóptero e dali segue-se apenas uma tomada, sem mudanças de câmera, entre as explosões e a queda do helicóptero. Uma seqüência espetacular, seria impossível tal filmagem, sem o auxílio dos efeitos digitais.

Em suma, para os fãs da série é um deleite, vermos John Connor encontrar seu pai quando este ainda é uma criança, Kyle Reese aprendendo a esconder armas embaixo da manga do casaco. Um sentimento nostálgico toma conta de nós.

Resenha Crítica:

Mas nem tudo são flores no reino encantado de Hollywood. O filme contém aquilo que já havia em T3: mesmice. O que salva nos dois últimos Exterminadores são os efeitos especiais. Nos dois primeiros eles também tinham sua importância, mas não era o que mais chamava a atenção.
A trama dos dois primeiros filmes era interessantíssima. O enredo era sabiamente conduzido. Talvez o abandono de James Cameron à série tenha contribuído para a queda na qualidade. Talvez o tema apocalíptico, com a chegada iminente do futuro, tenha perdido o encanto. Não estamos presenciando um avanço tão veloz da tecnologia como os primeiros filmes da série supunham. Mas mesmo assim, é um bom divertimento, apesar de não lembrar em nada o auge da série.

Memorial da Resistência



O Memorial da Resistência, localizado no antigo prédio do Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo (DEOPS/SP), nos fornece material histórico de valor incalculável. Material que nos remete à uma época negra de nossa história, os anos de chumbo, a ditadura.

Dividido em quatro partes, o memorial nos mostra em sua Parte A uma descrição de como o prédio foi usado ao longo de todos estes anos. Na Parte B, a tecnologia contemporânea demonstra sua utilidade aos visitantes da exposição. Através de uma tela sensível ao toque, podemos ver descrições detalhadas sobre as torturas, os movimentos de resistência, a repressão, ou seja, os principais temas, além de fotos e documentos digitalizados. Uma linha do tempo, escrita sobre a parede, mostra os principais fatos políticos desde o início da ditadura até os dias de hoje. Na Parte C, a exposição nos brinda com a reprodução de uma cela como era na época. O cheiro e as inscrições na parede foram reproduzidos, emocionando o público. Em outra cela há fones que reproduzem depoimentos de sobreviventes da ditadura. Muitos dos visitantes se emocionam neste local. Em outra cela há exibição de um filme contando a história dos presos da época, de como eles eram classificados em suas fichas de entrada. Termos como “subversivo” e “terrorista” eram constantemente usados pelos militares. Na Parte D, temos reproduções fiéis de prontuários da época. Alguns documentos apreendidos pela polícia são expostos, além de depoimentos em vídeo dos sobreviventes.

Interessante é que podemos ver nos documentos e nas exibições em filme, demonstrações diversas do importante papel da imprensa na época. Jornais da resistência eram impressos aos montes. Os estudantes utilizavam este meio como forma de comunicação e denúncia de abusos. Na imprensa tudo passava pelo crivo da ditadura. A censura era pesada. Assim os estudantes tentavam criar formas de driblar tal obstáculo criando estes pequenos impressos e distribuindo aos outros cidadãos.

Documentos da época, filmes com fotos das passeatas, livros considerados subversivos pelo governo ditatorial, fotos dos presos e dos mortos, músicas da época, etc. Um material que deve ser visto por qualquer cidadão que acredite na democracia e tem vergonha de viver num país que viveu no regime militar por tanto tempo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eu na Folha 3

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Auxílio moradia

"Enquanto o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, pede desculpas por fazer uso indevido de seu auxílio moradia, do qual ele tem direito, vemos no Brasil situação parecida. Três de nossos ministros recebendo auxílio moradia mesmo após terem trocado o Senado pela Esplanada, ou seja, eles não têm direito de receber tal benefício. Enquanto Darling restitui o valor que gastou de forma ilícita e sofre pressão pública, nossos ministros só devolverão o dinheiro, ao qual eles não tinham direito, se houver decisão do Senado nesse sentido. Uma vergonha!"

LEONARDO ARAUJO DA SILVA DIAS (São Paulo, SP)


http://www1.folha.uol.com.br/folha/paineldoleitor/ult10077u575712.shtml


Uma pequena reflexão.