Nos últimos dias, principalmente após o G20, parece que o prestígio do 4 dedos subiu na cotação dos estrangeiros. Depois de Obama chamá-lo de "Meu Chapa", o mundo lembrou-se do Lula eleito em 2002. O Lula cool. Em 2002 Lula ainda era, ou pelo menos quase, o Lula que ofereceu um verdadeiro almoço proletariado para Fidel Castro em sua casa no ABC, isso em meados dos anos 80. Claro que vieram os escândalos e tudo mais que sabemos (que aliás, o próprio Lula não sabe). Mas parece que Lula volta ao prumo do sucesso político justamente há um ano da eleição presidencial. Sorte de seu padrinho(a). Quem Lula está apadrinhando? Ela mesmo, a gatíssima Dilma Rousseff.
A oposição já tratou de se mexer, a Folha publicou uma matéria bem estranha num tom irresponsável sobre a VAR-Palmares, matéria que foi contestada pela esquerda de ontem e de hoje. A deturpação desta matéria já tá rolando pelos e-mails num tom bem tucano. As fotos de Dilma na matéria foram copiadas e criaram um textinho bem chinfrim sobre a candidata e sua "guerrilha".
Meu voto é de Dilma? Não. O problema todo é a deturpação da Dilma de outrora, uma pessoa que lutou por nossa liberdade, militante sim, guerrilheira não. Se hoje ela faz parte da panela que cuida de nossos interesses no governo (nossos?), bem, quem não faz? Lula e José Dirceu estão por lá. Por Deus, até o Gabeira está lá. Arrisquemos um candidato da extrema esquerda em 2010, é o que faço todo ano, mas nunca vejo meu escolhido vencer.
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domingo, 19 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
FERNANDO DE BARROS E SILVA
SÃO PAULO - A coleção de escândalos do Congresso Nacional na temporada verão-outono deste ano está mesmo de arrasar. Desafiando a crise mundial, nossos estilistas tropicais se mostram mais do que nunca arrojados ao lançar novas tendências de apropriação do bem comum e outras modas.
O saldão começou cedo. Servidores que recebem hora extra durante o recesso parlamentar; parlamentares que esquentam despesas inexistentes com notas das próprias empresas; diretores que procriam como coelhos pelo Senado (são 38? 181?); parlamentares "éticos" que pagam suas domésticas com verba pública; contas telefônicas de R$ 6 mil mensais, em média; um festival de livros autopromocionais impressos com o dinheiro do contribuinte na gráfica do Senado.
Funcionários fantasmas, nepotismo, compadrios -são pequenas peças a compor o figurino do patrimonialismo e o guarda-roupa da corrupção. A coleção de abusos tem a grife do PMDB, mas é confeccionada por todos os partidos. O tricô corporativo dispensa ideologia.
Fernando Collor, um velho estilista da modernidade de antigamente, tido como cafona e ultrapassado, voltou à cena fashion de Brasília. Agora divide o palco com o jaquetão de José Sarney e não chega a roubar o brilho de estrelas em ascensão no cerrado, como Gim Argelo. São todos gratos pelos serviços de alfaiataria de Renan Calheiros.
Falta à temporada de maracutaias prêt-à-porter, é verdade, o glamour de outros escândalos, como o do mensalão, que revelou ao país os segredos da alta costura do PT. Ou o dos sanguessugas, que fez sucesso no varejo do baixo clero, para não lembrar dos Anões do Orçamento, roubança de corte mais tradicional.
Nossos artistas parecem incomodados com a "perseguição" da imprensa. É preciso preservar a instituição, alertam, como se o clichê retórico pudesse legitimar ou redimir a cultura interna do descalabro.
A preocupação que eles revelam com a democracia é menos autêntica do que o sorriso da modelo diante dos flashes na passarela.
Publicado hoje na Folha de São Paulo. Gênio.
O saldão começou cedo. Servidores que recebem hora extra durante o recesso parlamentar; parlamentares que esquentam despesas inexistentes com notas das próprias empresas; diretores que procriam como coelhos pelo Senado (são 38? 181?); parlamentares "éticos" que pagam suas domésticas com verba pública; contas telefônicas de R$ 6 mil mensais, em média; um festival de livros autopromocionais impressos com o dinheiro do contribuinte na gráfica do Senado.
Funcionários fantasmas, nepotismo, compadrios -são pequenas peças a compor o figurino do patrimonialismo e o guarda-roupa da corrupção. A coleção de abusos tem a grife do PMDB, mas é confeccionada por todos os partidos. O tricô corporativo dispensa ideologia.
Fernando Collor, um velho estilista da modernidade de antigamente, tido como cafona e ultrapassado, voltou à cena fashion de Brasília. Agora divide o palco com o jaquetão de José Sarney e não chega a roubar o brilho de estrelas em ascensão no cerrado, como Gim Argelo. São todos gratos pelos serviços de alfaiataria de Renan Calheiros.
Falta à temporada de maracutaias prêt-à-porter, é verdade, o glamour de outros escândalos, como o do mensalão, que revelou ao país os segredos da alta costura do PT. Ou o dos sanguessugas, que fez sucesso no varejo do baixo clero, para não lembrar dos Anões do Orçamento, roubança de corte mais tradicional.
Nossos artistas parecem incomodados com a "perseguição" da imprensa. É preciso preservar a instituição, alertam, como se o clichê retórico pudesse legitimar ou redimir a cultura interna do descalabro.
A preocupação que eles revelam com a democracia é menos autêntica do que o sorriso da modelo diante dos flashes na passarela.
Publicado hoje na Folha de São Paulo. Gênio.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Garapa – Definhando o Brasil

Instigado por minha professora Vera Cristina (Realidade Sócio Política do Brasil) resolvi ir ao Festival “Tudo é Verdade” onde ocorriam sessões gratuitas de diversos documentários, incluindo o novo do aclamado diretor José Padilha (Ônibus 174 e Tropa de Elite). Como o próprio Padilha disse antes da exibição da película, o filme é difícil, duro e não é prazeroso de se mostrar.
O filme é cru ao extremo. Não há trilha musical. As câmeras de Padilha, filmando sempre em branco e preto, acompanham três famílias que vivem isoladas no nordeste brasileiro, mais especificamente no Ceará. A situação das três famílias é incomum aos olhos do público da capital paulista. Durante a exibição ouviam-se suspiros e expressões de espanto. Na tela, cenas chocantes de um Brasil pouco conhecido pela maioria. Crianças se alimentando de água com açúcar(a Garapa). Adultos vivendo no limite da paciência. Os problemas mostrados por Padilha atacam, de forma simples e objetiva, a ineficácia dos programas sociais criados pelo Governo Lula. O Fome Zero e o Bolsa Família se mostram inúteis quando não se há planejamento familiar, educação ou capacitação profissional para o cidadão que recebe tal benefício. O governo dá o peixe, mas não ensina a pescar. Os problemas de relacionamento entre as famílias, alcoolismo, saneamento básico, saúde, desemprego, falta de conhecimento de métodos anticoncepcionais são as mazelas que mais preocupam. Um ambiente onde não se vive dignamente, se sobrevive indignamente.
Padilha caminha por um território já navegado por ele mesmo em Ônibus 174. No filme em questão, o diretor humaniza o bandido, Sandro do Nascimento, explora os erros de um sistema falido de recuperação de criminosos e de um sistema carcerário absurdamente ridículo. Já em Tropa de Elite, Padilha foi acusado de mostrar um tipo fascista de polícia e instigar a violência de nossas instituições militares, mostrando tal método, que utiliza o artifício da tortura, como sendo eficaz. Em Garapa, o diretor retoma o prumo de seu primeiro documentário, acerta em cheio o estômago de um Brasil indiferente quanto aos assuntos da fome. Não só o Brasil, mas o mundo gasta muito pouco para eliminar esse problema gravíssimo da face da terra. Se gasta trilhões por ano para salvar os países da temida recessão e gastam-se míseros milhões para erradicar a fome. Resta saber se Padilha faz uso de boa fé ao lançar tal filme. Querendo ou não, ele explora aquelas três famílias de forma, quase, masoquista. Na tela, os compatriotas do diretor passam fome, e ele filma. Talvez a verdadeira intenção de Padilha nunca seja realmente alcançada. Ônibus não mudou nosso sistema carcerário falido, talvez Garapa não dê cabo da fome no Brasil, mas, querendo ou não, é um filme que todo brasileiro devia ver.
Lembrem-se, Lula disse em discurso após ser eleito em seu primeiro mandato:
"Se no fim de meu mandato, nenhum brasileiro passar fome, terei cumprido a minha missão."
Difícil missão presidente. Difícil missão.
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Lobos X Lobos
Um absurdo a denúncia feita pela Folha de São Paulo de ontem, Congressistas podem gastar até 33 mil com passagens aéreas. Devemos entender que é nosso dinheiro ali! É nosso dinheiro sendo gasto de forma tão cínica e irresponsável. É nosso dinheiro, suado, sendo usado pra custear sabe-se lá locomoções de quem e para quê? Quantas vezes mais iremos compactuar com a falta de fiscalização para com nossos políticos? Já é hora de sairmos às ruas e reivindicarmos punições. O ruim é que teremos que reivindicar tais punições de lobo para lobo. É como se estivéssemos dentro de um cercado político onde tudo que há dentro se completa e se defende. A nós só resta a reza e a esperança de que uma justiça divina cairá sobre os lobos congressistas. Ledo engano, o melhor é agirmos, agirmos de alguma forma antes que estes homens de colarinho branco levem nosso país à falência.
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