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segunda-feira, 13 de abril de 2009

FERNANDO DE BARROS E SILVA

SÃO PAULO - A coleção de escândalos do Congresso Nacional na temporada verão-outono deste ano está mesmo de arrasar. Desafiando a crise mundial, nossos estilistas tropicais se mostram mais do que nunca arrojados ao lançar novas tendências de apropriação do bem comum e outras modas.
O saldão começou cedo. Servidores que recebem hora extra durante o recesso parlamentar; parlamentares que esquentam despesas inexistentes com notas das próprias empresas; diretores que procriam como coelhos pelo Senado (são 38? 181?); parlamentares "éticos" que pagam suas domésticas com verba pública; contas telefônicas de R$ 6 mil mensais, em média; um festival de livros autopromocionais impressos com o dinheiro do contribuinte na gráfica do Senado.
Funcionários fantasmas, nepotismo, compadrios -são pequenas peças a compor o figurino do patrimonialismo e o guarda-roupa da corrupção. A coleção de abusos tem a grife do PMDB, mas é confeccionada por todos os partidos. O tricô corporativo dispensa ideologia.
Fernando Collor, um velho estilista da modernidade de antigamente, tido como cafona e ultrapassado, voltou à cena fashion de Brasília. Agora divide o palco com o jaquetão de José Sarney e não chega a roubar o brilho de estrelas em ascensão no cerrado, como Gim Argelo. São todos gratos pelos serviços de alfaiataria de Renan Calheiros.
Falta à temporada de maracutaias prêt-à-porter, é verdade, o glamour de outros escândalos, como o do mensalão, que revelou ao país os segredos da alta costura do PT. Ou o dos sanguessugas, que fez sucesso no varejo do baixo clero, para não lembrar dos Anões do Orçamento, roubança de corte mais tradicional.
Nossos artistas parecem incomodados com a "perseguição" da imprensa. É preciso preservar a instituição, alertam, como se o clichê retórico pudesse legitimar ou redimir a cultura interna do descalabro.
A preocupação que eles revelam com a democracia é menos autêntica do que o sorriso da modelo diante dos flashes na passarela.



Publicado hoje na Folha de São Paulo. Gênio.

Senado, Sarney, Sarna, Sarnento...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Lobos X Lobos

Um absurdo a denúncia feita pela Folha de São Paulo de ontem, Congressistas podem gastar até 33 mil com passagens aéreas. Devemos entender que é nosso dinheiro ali! É nosso dinheiro sendo gasto de forma tão cínica e irresponsável. É nosso dinheiro, suado, sendo usado pra custear sabe-se lá locomoções de quem e para quê? Quantas vezes mais iremos compactuar com a falta de fiscalização para com nossos políticos? Já é hora de sairmos às ruas e reivindicarmos punições. O ruim é que teremos que reivindicar tais punições de lobo para lobo. É como se estivéssemos dentro de um cercado político onde tudo que há dentro se completa e se defende. A nós só resta a reza e a esperança de que uma justiça divina cairá sobre os lobos congressistas. Ledo engano, o melhor é agirmos, agirmos de alguma forma antes que estes homens de colarinho branco levem nosso país à falência.

sábado, 28 de março de 2009

Sarney Sarney Sarnto Sarnen...

Há algumas semanas questiono a importância da coluna de José Sarney na FOLHA DE SÃO PAULO. Hoje foi a gota d'água. O presidente do Senado, Ex Presidente da República, Membro da ABL há de ter algo melhor para falar do que o caso do menino Sean. É um absurdo José Sarney não utilizar sua coluna para dar satisfações ao contribuinte sobre o mal uso de nosso dinheiro na casa onde preside. O Presidente deve falar sobre os mais de 80 mi gastos em "custos adicionais". Era disso que devia tratar a coluna de Sarney. É um absurdo abrir espaço à tão ilustríssimo senhor e este não o utilizar de forma útil. Aliás, José Sarney realmente escreve para esta coluna? Por que não deixar o espaço deste senhor vago para algum jornalista com opinião e não para politicagens ou inutilidades pseudo-intelectuais?