Eu voltava para casa. Estava cansado e nervoso porque minhas pilhas do mp3 player haviam descarregado. Não tinha nenhum livro na bolsa, daí a viagem tediosa de 40 minutos da faculdade para minha rua demoraria umas 2 horas.
Decidi observar o movimento na região de Santo Amaro, em São Paulo. À noite ela fica vazia, a maioria dos que ficam é composta por mendigos. Um deles chamou minha atenção. Era jovem, devia ter uns 28, estava deitado no pequeno espaço entre a porta de aço de uma loja e a calçada.
Ele estava agitado, falava sozinho. Passou uma pessoa com uma garrafa de água, ele pediu e a pessoa deu. O rapaz foi matar a sede deitado mesmo e se engasgou, levantou rindo de sua trapalhada, escarrou, passou na frente de meu ônibus, que ainda estava parado, e ficou meio sem graça.
Deitou na frente de outra porta de aço.
Talvez o sorriso revelado pelo engasgo tenha sido o único de seu dia.
domingo, 29 de agosto de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Eu na Folha - 5
quarta-feira, 5 de maio de 2010
A realidade é mais pesada que o céu

Dia de final antecipada, as duas maiores torcidas do Brasil se digladiam com seus gritos e bandeiras. De um lado o Corinthians, no ano de seu centenário, em busca de seu primeiro título na Libertadores. De outro o gigante Flamengo, em busca do bi-campeonato.
Começou o jogo e já parecia ano novo em Sampa, fogos, fogos e mais fogos para celebrar a entrada do Timão em campo. Nos bares a posição das cabeças denuncia: algo parou São Paulo. Na perua do transporte público os celulares ligados no velho companheiro de outrora. O rádio transmitia com fervor cada lance, cada chute, cada momento de desespero.
O tempo passa e o timão abre dois gols de vantagem, um deles do “Gordo” como bem proferiu um torcedor que ouvia a partida. O Flamengo diminui com Vágner Love. O resultado eliminaria o Timão, em pleno ano do centenário, em pleno ano dos investimentos milionários, em pleno Pacaembu, seu grande palco. Não, não. Não com o Corinthians! Isso não estava acontecendo!
Aos 35 do segundo tempo a pressão era tamanha e o espetáculo da torcida corintiana tão belo que, quem não tinha time para torcer logo decidiu se sensibilizar com a causa alvinegra. Não podia dar outra, aos 40 sairia o gol. Não saiu. Mas deixe estar, olha lá, falta aos 45 do segundo tempo, é gol na certa, isso é Corinthians! Mas não, não dessa vez, dessa vez o Corinthians não foi Corinthians.
O Timão fitou a realidade e se deu mal. É hora de repensar se a magia é maior que o preparo.
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sábado, 24 de abril de 2010
Miniconto - O Imperdoável Astolfo
Porfírio Silva era funcionário público. Aos 35 anos de idade, tivera apenas relacionamentos amorosos frustrantes. O máximo que conseguira foi uma namoro que durou 1 semana.Disposto a por fim em sua vida maçante, Porfírio comprou um computador. Ele ouviu no banheiro do trabalho alguém dizendo que era fácil arrumar mulher pela internet. Porfírio agora estava on-line, foi logo ao bate-papo e se interessou pelo nick Luana_21. Puxou papo, flertou e teve até uma ereção, a mesma que fizera falta no namoro de 1 semana. Porfírio Lopes estava maravilhado com Luana_21 e marcou um encontro após uma semana de papo.
Porfírio descobriu que Luana_21 era Astolfo e o 21 não era referência à idade.
Porfírio agora senta em almofadas.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Eles são perfeitos! E nós? Bem...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Dissimulados em ação
Tenho acompanhado através da rede o alarde envolvendo a nova edição do Big Brother Brasil. Dentre as peripécias da turma de 2010 (use o filtro...) estão comentários homofóbicos do ex-bbb (hãn?) Marcelo Dourado. O lutador disse, entre outras pégolas (Dicésar Style), que gays são os únicos responsáveis pela disseminação do vírus da AIDS. Para ele, heterossexuais não transmitem o vírus.
Pois bem, defensores do rapaz embarcam num ataque feroz e desmedido contra os gays da casa, comentam que Sérgio declarou ter feito sexo oral num desconhecido numa boate aos 16 anos e que Angélica declarou que faz sexo com as parceiras sem camisinha. Outrora já expulsaram uma guria que, supostamente, fez sexo oral em outro participante do programa. Hipocrisia é o nome do que fazem os que defendem Dourado.
Por que um BBB homofóbico é favorito do público? Bem, penso cá com meus botões que o público usa Dourado como a voz do botequim. A voz do botequim é a mesma voz que há dois meses vazou da boca de Boris Casoy no episódio dos lixeiros. A voz de botequim é aquela voz que faz você xingar os negros quando eles viram as costas.
O favoritismo de Marcelo Dourado prova que grande parte do público do Big Brother Brasil é escória. No tal reality show o que vale é ser ignorante a ponto da audiência se identificar. Taí Kléber Bambam que não me deixa mentir.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Miniconto - Seguro Desemprego
Ele acordou e os olhos não mentiam, dormira pouco. Olheiras profundas impressionavam-no quando ele fitou seu reflexo magro no espelho da penteadeira. Os pensamentos corrompiam-lhe o sossego e a insônia era massacrante. Jurou que era seu último dia de sofrimento, tomou um bom banho e aproveitou para se masturbar. Saiu da ducha mais triste, por alguns segundos pensou nos espermatozóides no ralo. Vestiu uma daquelas becas de dar inveja ao mendigo, pegou o celular afoito e... nada, nenhuma mensagem, nem o relógio estava certo, ajustou e viu que já estava atrasado. Correu para o portão quando ouviu: - Fred, não esquece o cartão.
Frederico Balbudico pegou o cartão das mãos de sua mãe, ele morava só com a velha, que já não aguentava mais o quarentão no seu pé. Mas ele já tinha decidido, aquele dia seria o último de sofrimento, era tudo ou nada e Frederico jogara a toalha na fatídica madrugada que antecedera àquela modorrenta manhã. Abriu o portão e pegou um ônibus até o centro.
Gastou alguns minutos na Sé amaldiçoando cada mendigo com um olhar de desprezo. Fred não acreditava em mais nada, só no cartão. Dirigiu-se a uma agência da Caixa Econômica que fica próxima da Praça João Mendes. No caminho cuspiu aos pés de uma puta, só para demonstrar seu asco. Aquele povo fazia Fred enojar o ser humano de tal forma que antes de entrar na agência ele vomitou a janta da noite. Entrou, sacou seu cartão, digitou a senha e não havia dinheiro. Fred aceitou.
Saiu da agência e perambulou pelo centro até chegar à Rua dos Andradas, rumou para o número 69. Gastou os últimos R$ 20,00 de sua existência com uma puta que cheirava mal. Fred saiu do famigerado puteiro das Andradas e carregou, com esforço, suas pernas cansadas até o Viaduto Santa Ifigênia. Olhou para ambos os lados, olhou para baixo, para cima, debruçou-se sobre a grade, equilibrou-se com os pés, abriu os braços. O vento rasgava suas lágrimas e percorria-lhe o corpo causando a única sensação de liberdade em anos, Fred deixou seu pútrido cadáver vivo cair e encontrar conforto no capô de um Siena. Frederico foi enterrado como indigente. Ele estava sem carteira.
Frederico Balbudico pegou o cartão das mãos de sua mãe, ele morava só com a velha, que já não aguentava mais o quarentão no seu pé. Mas ele já tinha decidido, aquele dia seria o último de sofrimento, era tudo ou nada e Frederico jogara a toalha na fatídica madrugada que antecedera àquela modorrenta manhã. Abriu o portão e pegou um ônibus até o centro.
Gastou alguns minutos na Sé amaldiçoando cada mendigo com um olhar de desprezo. Fred não acreditava em mais nada, só no cartão. Dirigiu-se a uma agência da Caixa Econômica que fica próxima da Praça João Mendes. No caminho cuspiu aos pés de uma puta, só para demonstrar seu asco. Aquele povo fazia Fred enojar o ser humano de tal forma que antes de entrar na agência ele vomitou a janta da noite. Entrou, sacou seu cartão, digitou a senha e não havia dinheiro. Fred aceitou.
Saiu da agência e perambulou pelo centro até chegar à Rua dos Andradas, rumou para o número 69. Gastou os últimos R$ 20,00 de sua existência com uma puta que cheirava mal. Fred saiu do famigerado puteiro das Andradas e carregou, com esforço, suas pernas cansadas até o Viaduto Santa Ifigênia. Olhou para ambos os lados, olhou para baixo, para cima, debruçou-se sobre a grade, equilibrou-se com os pés, abriu os braços. O vento rasgava suas lágrimas e percorria-lhe o corpo causando a única sensação de liberdade em anos, Fred deixou seu pútrido cadáver vivo cair e encontrar conforto no capô de um Siena. Frederico foi enterrado como indigente. Ele estava sem carteira.
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