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terça-feira, 13 de março de 2012

SUJIDADE

Antes de ler, assista ao vídeo abaixo:

Pois bem, estou a poucos meses de me formar em jornalismo. O jornalista é um profissional de sorte, ele trabalha para a sociedade, promove a democracia e ainda é pago para isso. Seria uma benção, não fosse uma temida relação com o poder que o poder proporciona. O profissional de comunicação - e aqui me refiro especialmente ao jornalista de televisão - possui um poder inimaginável.

O raciocínio é simples: concessões de rádio e televisão, no Brasil, são concedidas pelo Estado. O Estado representa o povo e deve defender seus interesses. Teoricamente (teoricamente, veja bem), as concessões públicas devem zelar para que os cidadãos sejam bem informados. Os jornalistas devem ser os baluartes da democracia (que pomposo). A comunicação é social, pois dela devem decorrer os princípios democráticos.

Alguns episódios de nosso mal fadado Estado Democrático remetem a um período em que as concessões públicas poderiam ser revogadas com o bater de uma continência. Em 1984, por exemplo, a Rede Globo de Televisão, escondeu de seu principal noticiário, o Jornal Nacional, a notícia de manifestação pelas Diretas Já.

O tempo passou, veio a Constituição de 88, mas velhos hábitos não mudaram. Em 1989, a mesma rede de televisão arquitetou para que o candidato Fernando Collor de Mello fosse eleito. Numa das mais desastrosas demonstrações do poder burro do jornalismo, uma edição medonha do último debate presidencial foi feita e exibida pelo mesmo Jornal Nacional de 1984.

O tempo passou, Collor caiu, Marinho morreu, Collor voltou, Sarney... continuou sendo Sarney, mas um fato preocupante ocorreu de novo.

A massa foi manipulada. E não venha dizer que estou procurando pêlo em ovo ou divagando sobre uma teoria conspiratória. Não. Os fatos citados aqui já foram publicamente assumidos pelos próprios envolvidos (assim como, penso eu, o que aconteceu anteontem também o será, num futuro próximo).

A matéria exibida pelo Jornal Nacional (olha ele aí de novo) representa o que há de mais pútrido na relação "Redes de Televisão x Empresas". A empresa em questão é a Confederação Brasileira de Futebol, presidida até anteontem pelo pulha Ricardo Teixeira. Claramente defendendo benefícios futuros, a TV Globo ousou – no pior sentido do verbo ousar – ao demonstrar que edita quem pode e assiste quem não tem juízo.

O genial Tino Marcos (sem ironias aqui) se prestou a um desserviço público quando editou este lixo de reportagem. Escondendo os fatos mais relevantes da história deste homem que não irá deixar saudades na administração do futebol brasileiro. Também pudera, lembremos que foi preciso a imprensa internacional se manifestar para que ele caísse. Não poderíamos esperar coisa “melhor” de nossos “baluartes” da democracia, não é mesmo?

Minha questão, dúvida, inquietação maior é: quantos anos mais terão de passar para que a Rede Globo de Televisão comece a merecer sua concessão pública?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei



O documentário conta a história do cantor Wilson Simonal. Simonal fez muito sucesso no fim da década de 60 até o início dos anos 70. Era conhecido com o rei do suingue, o cantor das multidões. Após acusação de ser informante da ditadura militar, Simonal foi condenado por seus colegas do meio artístico, e pelos meios de comunicação, ao ostracismo.

O filme segue uma cronologia que faz o espectador entrar em conflito consigo mesmo. Vemos que Simonal era um ídolo verdadeiro. Talvez o grande ídolo da época, ao lado de Roberto Carlos. O cantor tinha produtos com seu nome. Apresentava um programa de TV. Simonal era como diz Chico Anysio, o “Rei da Cocada Preta”. Mas quando ele comete o erro de se envolver, mesmo que inconscientemente, com torturadores da ditadura, vê sua queda começar.

Simonal desconfiou que seu contador estivesse roubando o. Mandou seus seguranças lhe darem uma surra. Os seguranças levaram o homem ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e a seus torturadores. Após a surra, o contador, Raphael Viviani acusou Simonal formalmente de sequestro. No dia seguinte, deu se a confusão. Os jornais noticiaram a ligação de Simonal com o órgão militar.
Apesar de ser homem público, o cantor era um ignorante aos assuntos políticos. Não sabia que o peso de se intitular informante da direita, mesmo que em tom sarcástico como foi feito lhe marcaria para o resto da vida e daria fim à sua promissora carreira.

Os jornais da época, numa claríssima falta de respeito aos princípios do jornalismo objetivo e imparcial, noticiavam os boatos sobre o caso. As versões eram transformadas em fatos, principalmente após as brincadeiras de Simonal sobre ser informante da direita. Ele foi acusado pelo Pasquim, de ser dedo duro da ditadura. É interessante vermos que a irresponsabilidade jornalística dos meios da época se contrapõe à imparcialidade do documentário. O diretor Cláudio Manoel se preocupou em ouvir os dois lados, pela primeira vez, o contador de Simonal na época, e coadjuvante do acontecimento que deu início à queda do cantor, é ouvido. Visivelmente abalado ao ter que falar sobre o caso, percebemos que sua vida também fora fortemente afetada pelo episódio. Terminada a sessão, o espectador certamente irá se perguntar se Simonal mereceu ou não seus anos de exclusão. A resposta com certeza será não. Wilson Simonal foi um dos maiores injustiçados da história recente de nosso país.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Memorial da Resistência



O Memorial da Resistência, localizado no antigo prédio do Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo (DEOPS/SP), nos fornece material histórico de valor incalculável. Material que nos remete à uma época negra de nossa história, os anos de chumbo, a ditadura.

Dividido em quatro partes, o memorial nos mostra em sua Parte A uma descrição de como o prédio foi usado ao longo de todos estes anos. Na Parte B, a tecnologia contemporânea demonstra sua utilidade aos visitantes da exposição. Através de uma tela sensível ao toque, podemos ver descrições detalhadas sobre as torturas, os movimentos de resistência, a repressão, ou seja, os principais temas, além de fotos e documentos digitalizados. Uma linha do tempo, escrita sobre a parede, mostra os principais fatos políticos desde o início da ditadura até os dias de hoje. Na Parte C, a exposição nos brinda com a reprodução de uma cela como era na época. O cheiro e as inscrições na parede foram reproduzidos, emocionando o público. Em outra cela há fones que reproduzem depoimentos de sobreviventes da ditadura. Muitos dos visitantes se emocionam neste local. Em outra cela há exibição de um filme contando a história dos presos da época, de como eles eram classificados em suas fichas de entrada. Termos como “subversivo” e “terrorista” eram constantemente usados pelos militares. Na Parte D, temos reproduções fiéis de prontuários da época. Alguns documentos apreendidos pela polícia são expostos, além de depoimentos em vídeo dos sobreviventes.

Interessante é que podemos ver nos documentos e nas exibições em filme, demonstrações diversas do importante papel da imprensa na época. Jornais da resistência eram impressos aos montes. Os estudantes utilizavam este meio como forma de comunicação e denúncia de abusos. Na imprensa tudo passava pelo crivo da ditadura. A censura era pesada. Assim os estudantes tentavam criar formas de driblar tal obstáculo criando estes pequenos impressos e distribuindo aos outros cidadãos.

Documentos da época, filmes com fotos das passeatas, livros considerados subversivos pelo governo ditatorial, fotos dos presos e dos mortos, músicas da época, etc. Um material que deve ser visto por qualquer cidadão que acredite na democracia e tem vergonha de viver num país que viveu no regime militar por tanto tempo.