quinta-feira, 7 de abril de 2011

Como funciona o jornalismo?

Hoje é dia 7 de abril. Se comemora o dia do jornalismo porque no dia 7 de abril de 1830, João Batista Líbero Badaró, médico e jornalista, brasileiro de origem italiana, fora assassinado por inimigos políticos. Porém, dia 7 de abril de 2011 será lembrado e relembrado porque foi um dia atípico. Foi o Dia do Jornalismo perfeito para analisarmos o jornalismo. Terremoto no Japão, aeroportos do rio fechando com ameaças de bomba e, claro, a tragédia de Realengo.

Já que faltam informações para os dois primeiros casos, vamos ao último, a tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira. Como o jornalismo vai se portar diante de fato estarrecedor?

O que vai acontecer com os programas de cunho jornalístico nos próximos dias?

1º ao 30º dia depois da tragédia

Hoje, teremos na escalada do JN, tudo que você possa imaginar sobre o caso. O Bonner vai mandar tirar a musiquinha do final do jornal. LUTO.

William Bonner


Ainda hoje, algum programa de variedades desses que passam à tarde, vai encontrar alguma vítima que possua algo diferente. Um aniversariante, por exemplo. Um amigo do atirador, talvez.

Sônia Abrão batendo um papo

Amanhã, Ana Maria Braga vai abrir o programa dela com estas imagens. Vai ter familiar das vítimas mortas, algum tio. Os pais, nem pensar, não se atreveriam.



Ana Maria Braga tirando um lazer

As semanais, Veja e Época, certamente estão correndo para botar o assunto na capa. Violência vende e pode ser explorada exaustivamente. Imagino alguma capa como “OS 11 DE REALENGO” (ou 12?), ou “O MONSTRO”, com o atirador em destaque. O Datena vai usar o gancho religião para criticar o atirador. O Jornal da Globo vai botar algum especialista em atiradores de escola pra falar. Isso deve existir, não é possível.


Capa da nova Veja

Programas especiais, que possuem mais tempo para serem feitos, como Fantástico e Domingo Espetacular, vão comparar a tragédia brasileira com o massacre de Columbine. Eles também vão botar um especialista em atiradores de escola pra falar. A Globo vai transmitir o (ótimo) Elephant, de Gus Van Sant no domingo maior. Nem o Tiago Leifert vai sorrir durante alguns dias.

"O atirador tinha AIDS, ou seja..."

30º ao 40º dia depois da tragédia

Vão procurar outro assunto.

O jornalismo funciona assim. A questão não é informar, é deixar você anestesiado, revoltado e tonto.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A resposta de Solda

Ontem, muitos de nós torcemos o nariz para a charge de Luiz Antônio Solda, publicada na versão online do jornal O Paraná. A charge mostra um macaco e os dizeres:

“Almoço para Obama terá baião de dois, picanha, sorvete de graviola…E BANANA, MUITA BANANA”

(Para ver a charge em tamanho original, clique aqui para ir ao blog do cartunista)

À primeira vista, a charge causa espanto, porém, como eu já conhecia o cartunista Solda e admirava seu trabalho, fique com a pulga atrás da orelha e resolvi correr atrás de respostas. Fui até seu perfil no Facebook e perguntei se ele não gostaria de dar sua opinião sobre a polêmica. Reproduzo abaixo sua resposta que ele postou em meu Facebook e autorizou que fosse publicada em meu blog.

Leonardo: jamais fui preconceituoso nem racista e não gosto desse tipo de gente. Coloco aqui o comentário do chargista Marco Jacobsen: O preconceito e o racismo ficaram por conta do ignorante que postou essa imbecilidade! E esses comentário...s carregados de preconceitos com mora no sul? Uma estupidez só! [aqui ele comenta sobre o que meus amigos disseram no Facebook] Essa turma não sabe ler?

A charge não é racista, gente. Fica claro que o macaquinho (figura simpática) que está fazendo o gesto “banana”, é uma referência à resistência às propostas comerciais indecentes que os americanos nos fazem há décadas. Oferecer uma “banana” aos americanos, não tem nada de racismo e sim um protesto bem brasileiro (seja ele de qual região for). O senhor Paulo Henrique Amorim, é responsável por achincalhar a o caráter ilibado deste que é um dos maiores artistas gráficos do país. Embora este senhor não tenha se manifestado de forma clara, publicar um post com o título: “Jornal Paraná Online publicou hoje charge racista com desenho de um macaco e com os dizeres...” é induzir a todos os leitores a tirar uma conclusão precipitada e b urra. Manifesto aqui minha indignação e desprezo por todos que viram uma ilação racista na charge. Pois pra mim ficou claríssimo que o racismo está embutido na cabeça dessas pessoas mesmo que induzidas. Acho que o cartunista deveria processar o jornalista, o site e todos os que o acusam injustamente de racismo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O ASSASSINATO DE BARACK OBAMA

Manhã de sol. O Rio de Janeiro amanhece maravilhoso, justificando sua tão famosa alcunha. O primeiro presidente negro dos Estados Unidos se prepara para seu dia mais negro. Barack Hussein Obama ajeita a gravata e dá bom dia para as filhas negras.

- Bóra gente, bóra que Jesus ta esperando!

O afro-americano dá um nó na gravata e parte para o último dia de sua vida.

Do outro lado da cidade, um negro chamado Motumbo Alfredo monta seu fuzil preto. Motumbo lacrimeja, hesita, mas continua. O negro está em seu barraco, equilibrado sobre uma lama escura. Ele mora na Favela do Longe. Uma favela que fica longe.

Ao meio-dia, Obama sobe para o discurso. No mesmo momento, Motumbo aponta seu fuzil para o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. O negro aponta. O negro abre a boca. O preto dispara. O negro morre. O dia negro.